Aquilo em que todos os seres residem e que reside em todos os seres, que é o dador de graça a todos, A Alma Suprema do universo, o ser sem limites —eu sou isso. Amritbindu Upanishad.
Este é talvez um dos livros mais relevantes e reveladores do hinduísmo advaita, feito a partir da compilação de 101 conversas de visitantes com o jñani Sr. Nisargadatta Maharaj (17/abril/1897 - 8/setembro/1981).

(Imagem: Nisargadatta Maharaj)
O qual oferece, antes das suas perguntas, a sua visão da realidade do Ser que, mais tarde, derivaria no Nisarga Yoga.
Tal como revela, a realidade veio-lhe, uma vez que o seu mestre (Siddharameshwar Maharaj em 1933) lhe disse: “Tu não és nada senão o teu si mesmo. Presta atenção ao <<eu sou>>”. Ao confiar nele, comportou-se em conformidade e deixou de se preocupar com o que não era o seu si mesmo, nem seu (1). Recomenda-nos descartar tudo o que “não somos” como via para chegar ao que somos.
<<Eu sou isso>> é uma leitura amena e refrescante para digerir pouco a pouco (são quase 500 páginas), onde o mestre elimina todas as prisões com as quais nos identificamos.
“Tu não és o teu corpo, não és a tua mente, nem és o que é pensado por ela” (mas és tudo, o si mesmo, o Ser).
O Yoga é a ferramenta para desfazer o emaranhado do discernimento entre o limitado e o ilimitado, que são tomados como a mesma coisa e ajudar-nos a descobrir o que realmente somos (2).
Interlocutor: A morte não desfaz esta confusão?
Maharaj: Na morte apenas morre o corpo. A vida não morre, a consciência não morre, a realidade não morre. E a vida nunca está tão viva como depois da morte. (3)
Também nos oferece a técnica de perguntar "quem sou eu?" (4), promulgada, no seu caso, por Sri. Ramana Maharshi.
Mah: O que há de errado em se esforçar? Porquê procurar resultados? O esforço em si é a sua natureza real.
Mah: Você torna-o penoso ao procurar resultados. Esforce-se sem procurar, esforce-se sem cobiça.
Mah: De que Deus você está a falar? O que é Deus? Acaso não é a luz mesma pela qual você faz a pergunta? «Eu sou» em si é Deus.
É, em suma, um livro de leitura obrigatória, muito recomendado, pode encontrar uma tradução espanhola aqui (pdf).
NOTAS DE RODAPÉ
1 Ver o diálogo 51 do livro para a descrição completa.
2 O que no Ocidente identificaríamos com o espírito.
3 Em total conivência com a Bhagavadgita, ver a conversa 5 do livro
4 Ver o detalhe na conversa 21 do livro